Num mundo cada vez mais global, tecnológico e interligado, há uma competência que continua a distinguir alunos medianos de alunos preparados para o futuro: o domínio de línguas estrangeiras.
Apesar disso, a aposta consistente nas línguas — especialmente no Inglês e no Francês — tem sido, em muitos contextos, secundarizada face às disciplinas “tradicionalmente nucleares”. No entanto, os dados mostram exatamente o contrário: investir em línguas não é acessório. É estratégico.
Neste artigo, explicamos 5 razões sólidas, sustentadas por dados e tendências internacionais, para apostar seriamente no estudo de línguas — com foco particular no Inglês e no Francês — e porque esta decisão pode transformar o percurso académico e profissional de qualquer aluno.
1. O Inglês é a língua global do conhecimento e das oportunidades
O Inglês não é apenas “mais uma disciplina”. É a língua franca do século XXI.
Atualmente:
Cerca de 1,5 mil milhões de pessoas falam inglês no mundo (entre falantes nativos e não nativos).
É língua oficial ou amplamente utilizada em mais de 70 países.
Aproximadamente 60% do conteúdo online está disponível em inglês.
Mais de 80% dos artigos científicos são publicados nesta língua.
Isto significa que quem domina inglês tem acesso direto à maior parte da informação científica, académica e tecnológica produzida globalmente.
Num contexto universitário, muitos cursos de mestrado e doutoramento, mesmo em países não anglófonos, são lecionados em inglês.
Em áreas como tecnologia, medicina, engenharia, economia e investigação científica, o inglês é frequentemente requisito mínimo.
No mercado de trabalho, empresas multinacionais utilizam o inglês como língua de comunicação interna. Plataformas digitais, formação técnica, software especializado e certificações internacionais exigem, na maioria dos casos, um bom domínio da língua.
Mais do que uma vantagem, o inglês tornou-se uma competência-base.
2. O Francês continua a ser uma língua estratégica na Europa e no mundo
Embora muitas vezes menos valorizado, o Francês é uma das línguas mais estratégicas a nível internacional.
Dados relevantes:
É falado por mais de 320 milhões de pessoas em todos os continentes.
É língua oficial em 29 países.
É uma das línguas oficiais da União Europeia, da ONU, da OCDE, da Cruz Vermelha e de diversas organizações internacionais.
É a segunda língua mais aprendida na Europa, depois do inglês.
Na União Europeia, França é uma das principais economias e parceiros comerciais de vários países europeus. Empresas francesas e francófonas têm presença significativa nos setores da energia, automóvel, distribuição, tecnologia, moda, turismo e indústria farmacêutica.
Além disso, o continente africano, onde o francês é amplamente falado, apresenta algumas das economias com maior crescimento demográfico e potencial económico nas próximas décadas.
Estima-se que, até 2050, o número de falantes de francês possa ultrapassar os 700 milhões, sobretudo devido ao crescimento populacional em países africanos francófonos.
Ou seja: apostar no francês é investir numa língua com forte peso institucional, diplomático e económico — e com enorme projeção futura.
3. O domínio de línguas aumenta empregabilidade e salário
Estudos europeus indicam que profissionais com domínio de pelo menos uma língua estrangeira têm maior probabilidade de empregabilidade e mobilidade internacional.
Segundo dados da Comissão Europeia:
Cerca de 40% das empresas europeias afirmam perder oportunidades de negócio por falta de competências linguísticas.
Funcionários com competências linguísticas adicionais podem ter salários 5% a 20% superiores, dependendo da função e setor.
Em áreas como:
Comércio internacional
Turismo e hotelaria
Relações internacionais
Tecnologia
Recursos humanos
Marketing digital
Tradução e media
o domínio de inglês é praticamente obrigatório e o francês surge frequentemente como diferencial competitivo.
Num mundo em que a mobilidade académica (Erasmus, intercâmbios, programas internacionais) é cada vez mais valorizada, o conhecimento de línguas abre portas a experiências formativas enriquecedoras que fortalecem o currículo e desenvolvem autonomia.
Não se trata apenas de falar outra língua. Trata-se de ampliar o leque de oportunidades.
4. Aprender línguas desenvolve o cérebro e melhora o desempenho académico
A aposta nas línguas não traz apenas benefícios externos. Traz benefícios cognitivos comprovados.
Diversos estudos em neurociência demonstram que o bilinguismo ou multilinguismo está associado a:
Melhor capacidade de concentração
Maior flexibilidade cognitiva
Melhor memória de trabalho
Desenvolvimento de competências de resolução de problemas
Aprender uma língua implica:
Interpretar estruturas diferentes
Adaptar-se a novos padrões gramaticais
Compreender contextos culturais distintos
Desenvolver escuta ativa
Tudo isto fortalece funções executivas do cérebro.
Além disso, alunos que dominam bem a língua materna e uma segunda língua tendem a apresentar melhores resultados em leitura, interpretação de texto e produção escrita, competências transversais a todas as disciplinas.
Em exames nacionais, por exemplo, dificuldades em interpretação de enunciados podem comprometer resultados em áreas como Matemática ou Ciências.
Um treino consistente em línguas ajuda a desenvolver precisamente essa competência interpretativa.
Investir em línguas é, portanto, investir também no sucesso académico global.
5. Preparação antecipada evita desvantagens futuras
Um dos maiores erros no percurso escolar é encarar as línguas como disciplinas “secundárias” até que se tornam determinantes.
Muitos alunos chegam ao ensino secundário com bases frágeis em inglês ou francês.
A partir desse momento, recuperar torna-se mais difícil, porque:
O nível de exigência aumenta
A carga horária é maior
O vocabulário técnico torna-se mais complexo
A aprendizagem de línguas é cumulativa. Lacunas iniciais tendem a amplificar-se ao longo do tempo.
Por outro lado, alunos que constroem bases sólidas desde cedo:
Sentem-se mais confiantes
Participam mais ativamente
Têm melhor desempenho em provas escritas e orais
Enfrentam exames com menos ansiedade
É também importante lembrar que certificações internacionais de inglês (como exames reconhecidos globalmente) ou provas de proficiência em francês podem ser requisitos para candidaturas académicas no estrangeiro.
Preparar-se cedo significa não ter de “correr atrás do prejuízo” mais tarde.
Inglês e Francês: complementares, não concorrentes
Não se trata de escolher entre inglês ou francês.
O inglês é a língua global da ciência, tecnologia e negócios.
O francês é uma língua estratégica na diplomacia, na política europeia, no comércio internacional e em mercados emergentes.
Juntas, estas duas línguas:
Aumentam significativamente a mobilidade internacional
Diferenciam o currículo
Expandem redes de contacto
Criam versatilidade profissional
Num mercado cada vez mais competitivo, a diferenciação faz-se nos detalhes — e o domínio de línguas é um deles.
O papel do Método na aprendizagem de línguas
No entanto, tal como acontece noutras disciplinas, não basta “ter aulas”. É necessário método.
Aprender línguas exige:
Exposição regular
Prática ativa (oral e escrita)
Consolidação de vocabulário
Treino de compreensão auditiva
Feedback estruturado
Sem orientação, muitos alunos limitam-se a memorizar listas de palavras antes dos testes — e esquecem rapidamente o conteúdo.
Com estratégia adequada:
O vocabulário é consolidado progressivamente
A gramática é aplicada em contexto
A oralidade é treinada com segurança
A evolução é monitorizada
A consistência é mais eficaz do que o esforço concentrado de última hora.
Num cenário globalizado, tecnológico e altamente competitivo, o domínio de línguas deixou de ser opcional.
O inglês é a chave de acesso ao conhecimento global.
O francês é uma porta estratégica para a Europa e mercados internacionais em crescimento.
Ambas desenvolvem competências cognitivas, aumentam empregabilidade e ampliam horizontes académicos e profissionais.
Ignorar esta realidade pode significar limitar oportunidades futuras.
A verdadeira questão já não é “vale a pena apostar nas línguas?”.
A questão é: podemos dar-nos ao luxo de não o fazer?
Investir cedo, com método e acompanhamento adequado, permite transformar uma disciplina escolar numa ferramenta de diferenciação real.
Aqui no Aresta ao Cubo, apostamos, e muito, na aprendizagem destas duas línguas.
Se este artigo o/a fez sentir que vale a pena apostar no estudo destas línguas, espreite os cursos que temos.
Porque preparar o futuro começa nas escolhas que fazemos hoje.